Eis meu veneno de escolha
Que trovoa em ensurdecedor estorvo
Numa orquestra particular de dor e vontade
Tal qual a natureza: puro, embora destrutivo
Belo, embora inexorável
….
A libido como álibi
O desejo, a que dá ensejo
Que seja talvez a chama pouca
Que acende o que queima incessantemente
Rude, mas rutilante
Singelo, mas claro
…..
É objeto, é sujeito, é sintaxe
É sentença
É sentar-se, é sinta-se
É tudo, menos síntese
É tudo, menos simples
….
Queima, a ígnea insígnia que dói
Marca o touro que sou
Marcou o burro que fui
Fi-lo ou deixei ser feito
Não sei ao certo
….
Porquê da dor?
Porque posse
Porque posso
Mas podo
Eu tento
Eu juro
(E choro)
….
Infere esse inferior enfermo:
Deveria eu estar aqui?
Deveria eu tragar alguém nesse confuso turbilhão de sentimento e auto-piedade…
Que carinhosamente chamo de “eu”?
Inferno!
Vociferar “Vai se ferrar!” para consigo é uma experiência curiosa
Não cura a angustia de ser falho
Não cura a dualidade do sentimentalista idiota e do homem inteligente e racional
Que discutem aqui dentro
A dualidade da felicidade exasperante e da tristeza desoladora
A dualidade da auto-depreciação e da arrogância de esperar não ser falho
….
Ó ávida à vida
Não quero ser tua gaiola dourada
Só espero, de peito aberto, que perdoe as teias de aranha
Que perdoe o veneno, os homens brigando
Que perdoe minhas tantas falhas
Pois perdoo as tuas







